Os riscos da agricultura predatória

https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2021/11/megafazenda-na-bahia-avanca-em-desmatamento-ameaca-cerrado-e-isola-comunidades.shtml


A agricultura intensiva não pode ser a filha putativa de um desenvolvimento sustentável do campo. A função desta agricultura de capital intensivo é certamente produzir em grande escala, mas também gerar lucros, como qualquer negócio em concorrência com a lei do mercado. Há pouca ligação orgânica entre os mandantes e o território, dando livre arbítrio à predação. O modelo agroindustrial brasileiro, apontado como exemplo pelos defensores da agricultura produtivista, como a FNSEA, ou a bancada ruralista brasileira, por óbvios motivos partidários, não deve aparecer como a única alternativa possível a uma demanda cada vez mais forte. O mundo deve realmente adiar a produção de mais e mais alimentos para alimentar uma população crescente que está consumindo cada vez mais per capita. Como os países do Norte já estão em um modelo avançado de produção, com ocupação máxima da UAA, o bastão foi logicamente passado para os países emergentes e outros países do Sul. Esta última pode de fato ganhar em produção graças às reservas de espaço que podem ser desenvolvidas em termos agrícolas e em produtividade, graças ao uso de técnicas agrícolas modernas (mecanização de culturas, uso de insumos, irrigação, seleção de sementes e animais). Produzir mais em países com alta demanda por alimentos parece ser a lógica implacável do princípio de equidade caro ao economista Rawls. Infelizmente, a agricultura moderna proposta nos países do Sul é muitas vezes uma exportação monoagrícola que esgota as pessoas e o solo sem redistribuir localmente os frutos de seus respectivos trabalhos. Os desertos verdes ignoram a produção de alimentos e são pré-datados nas últimas florestas primárias do planeta, muitas vezes de forma irreparável. Os poucos empregos que são criados são mal pagos e muitas vezes ainda equivalem à escravidão moderna (ver os estudos sobre este assunto no site reporterbrasil.org).

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